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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Da amizade e outras paixões líquidas


 

Para um Amigo Tenho Sempre

 

Para um amigo tenho sempre um relógio

esquecido em qualquer fundo de algibeira.

Mas esse relógio não marca o tempo inútil.

São restos de tabaco e de ternura rápida.

É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.

É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

 

António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

sábado, 7 de dezembro de 2024

Omar Khayyam


 

        Os sábios não te ensinarão nada,

            mas a carícia dos longos cílios de uma mulher revelar-te-á a felicidade.

            Não te esqueças que os teus dias estão contados

            e que, bem depressa, tu serás presa da terra.

            Compra vinho, afasta-te para um canto e deixa-o consolar-te.

                                                                        Omar Khayyam

sexta-feira, 14 de junho de 2024

50 anos depois

 



25 de abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inaugural e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Andresen

                                                                                     


quinta-feira, 1 de março de 2012

por este rio


Verticalidade

Quando à beira do mar as almas se destroem
e os barcos se exercitam nas glórias vãs
é bom saber que um homem está de pé
na ponta do rochedo
e tem espelhada na fronte
a imensidão do mar.
É bom saber que os olhos
se espraiam na distância
e constroem na bruma 
o horizonte.
 João Rui de Sousa

domingo, 13 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

arte xávega


«Espelhos

O mar que em mim se espelha
e em mim se degrada
somente se assemelha
à boca derrotada

pelos usos inúteis
do amor e da fala
ele reflecte fúteis
as imagens que exala

é o mar que me espelha
o líquido onde nada
à vida se assemelha
como uma fútil fala»

Gastão Cruz

sábado, 8 de outubro de 2011

premonição


"Bucólica"
«Como o peso do pássaro no ramo
sinto a memória na alma.
assim sou leve, apenas pelo que amo;
chega o tempo da palma.

Mas não prendo, nos voos que tenteio,
os fios já pousados
que estendiam a Graça como um veio
Aos pássaros tornados.

Um toque de inocência
custa o que não se tem.
Perdi a paciência,
ou ganhei, não sei bem.

Talvez apenas reste o dom dorido
de chorar sem vontade...
O que estou é perdido,
com a força da idade.
(...)
Vitorino Nemésio