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domingo, 16 de janeiro de 2011

cidade de espelhos

janeiro, 2010

«(Hoje, sempre hoje)

Falas (ouvem-se muitas chuvas)
não sei o que dizes (uma mão amarela nos sustém)
Calas-te (nascem muitos pássaros)
não sei onde estamos (um favo escarlate nos aprisiona)
Ris (as pernas do rio cobrem-se de folhas)
não sei onde vamos (amanhã é hoje na metade da noite)

Hoje que se abre e se fecha
nunca se movem nem se detém
coração que nunca se apaga
Hoje (um pássaro pousa
numa torre de granizo)
É sempre meio-dia.»

Octávio Paz